Uso de máscara e treino

O uso de máscara já fui muito utilizado, e ainda é, como uma ferramenta para melhorar a performance de atletas.

No mercado existem máscaras desenvolvidas para este princípio, com o propósito de reduzir a oxigenação tentando simular  altas altitudes.

Segundo o fabricante Training Mask, com o uso da máscara é possível simular um treino em altitude atingindo alguns benefícios como:

  • Melhora no Limiar de Compensação Respiratória (RCT);
  • Melhora os Limiares  Ventilatórios;
  • Melhora a produção de potência no Limiar Ventilatório;
  • Melhora a produção de potência no Limiar de Compensação Respiratória;
  • Melhora dos níveis de GH devido à promoção de hipóxia durante o exercício;

Mas será que funciona mesmo?

Treinamento em altitude

O treinamento em altitude faz com que haja uma adaptação do corpo para aptidão respiratória (VO2 max), devido a condição de exercícios em hipóxia. Isso acontece devido a maior altitude onde há uma menor pressão atmosférica e consequentemente uma menor saturação do oxigênio no ar. Como o ar é rarefeito o corpo tem que se adaptar a falta de oxigênio e como consequência aumenta a produção de EPOC (Eritropoietina), Este hormônio tem a função de estimular a eritropoiese que é a produção de células vermelhas no sangue as quais são responsáveis pelo transporte do oxigênio, porém, para que isso aconteça deve haver um certo tempo para a adaptação. Estudos  mostram que  a adaptação começa  a partir de 4 semanas em treinamento podendo até levar mais tempo.

Um outro efeito benéfico do treinamento em altitude em condições de hipóxia é o aumento da produção de GH (Hormônio do Crescimento). Um estudo feito por Kurobe e colaboradores na  Clinical Physiology and Functional Imaging em 2014 mostrou que pessoas que treinaram em hipóxia tiveram um aumento nos valores de GH e maior hipertrofia muscular comparado com um grupo de pessoas que treinaram em níveis normais.

Benefícios do uso de máscara

Um estudo feito por Journal of Strength and Conditioning Research em 2017 mostra os efeitos do uso da máscara em treinamentos resistidos. Foram feitos testes em um grupo de 20 pessoas onde foram divididas em um grupo usando máscara e o outro não. O grupo que usou máscara atingiu menores velocidades nos exercícios de agachamento e supino comparado com os que não usavam máscara.  Por outro lado os indivíduos que treinaram com máscara apresentaram  menores valores de lactato. A hipótese de terem menores valores de lactato deve-se ao padrão de recrutamento de fibras musculares do tipo I, a qual possui metabolismo de prevalência aeróbio em relação às fibras IIa e IIx. Ainda foi estudada a capacidade de saturação de oxigênio nas duas condições e chegado à conclusão que a máscara não foi capaz de promover a hipóxia.

A máscara também não foi capaz de promover adaptações em protocolos de treinamento aeróbios. Conforme estudos de Biggs et al. (2017), após 6 semanas de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), comparando dois grupos com e sem máscara foi constatado que os dois tiveram aumentos similares no VO2 max.

Conclusão

A máscara não promove a condição de hipóxia durante sua utilização. não promovendo uma “simulação” de altitude. O que realmente acontece é que a máscara dificulta a ventilação fazendo com que os músculos respiratórios tenham que trabalhar com mais intensidade promovendo um treinamento dos mesmos, principalmente os intercostais internos e externos.

Outro fato que devemos lembrar é que o uso da máscara durante o treinamento de força faz com que se reduza a velocidade da execução dos exercícios, fator negativo para adaptações de potência muscular.

Sendo assim a máscara não consegue simular o treinamento em altitude, não trazendo benefícios para treinamentos aerobios ou anaerobios, sendo dispensável sua utilização para melhora de performance.

Referências

Kurobe K, et al. Effects of resistance training under hypoxic conditions on muscle hypertrophy and strength. Clinical Physiology and Functional Imaging 2014.

Biggs NC, et al. Effects of simulated altitude on maximal oxygen uptake and inspiratory fitness. International Journal of Exercise Science 2017; 10(1), 128-136.